Educar para a paz em nossos dias é uma necessidade urgente. Quando pensamos em paz, não é comum imaginarmos que seja possível educar para a paz. Pensamos que paz é um estado de espírito. No livro “A paz também se aprende”, Naomi Drew nos fornece elementos concretos de uma formação para a paz. Em uma sociedade em que a aprendizagem é um elemento constante em nossas vidas e de nossas crianças, através da internet e outros meios de comunicação, educar para a paz e o bem deve entrar também como um elemento de constante estudo e prática, principalmente em uma escola que preze por esses valores.
Em razão disso é que o Colégio Maria Imaculada iniciou no mês de setembro de 2009 o projeto “Sou da paz, sou do bem”. Temos como objetivo deste projeto desenvolver nos educandos a compreensão do conceito de paz e as vivências próprias de relações pacificadoras. Para podermos atingir esse objetivo temos realizado algumas atividades e temos um programa de ação.
Primeiramente, entendemos que o professor/educador precisa estar inteiramente capacitado e integrado ao projeto. Todo projeto desenvolvido na escola precisa de uma participação coletiva, por isso, não podemos conceber um projeto que se desenvolva com os estudantes sem que antes os professores tenham entendido e eles mesmos se sentirem motivados a levar esse projeto adiante. Em razão disso, temos realizado estudos periódicos (quinzenais) com os professores, procurando aprofundar o tema da paz. É sabido que este tema muitas vezes gera interrogações, porém há muitos estudos já desenvolvidos sobre o assunto e é algo em voga na atualidade. Nesse espaço também debatemos o andamento do projeto e buscamos alternativas frente a novos fatos e questões que surgem.
Uma segunda frente de ação se dá em sala de aula, com as oficinas de educação para a paz que o professores desenvolve com os estudantes com o objetivo de fundamentar a prática pacificadora que eles desenvolvem na escola. Acreditamos que toda teoria sem um prática é inútil, porém toda prática sem teoria é vazia e pode se desviar do foca. Entender que somos indivíduos importantes e que temos um papel no mundo e toda ação que realizamos afeta o que nos circunda é fundamental nesse processo. Essas dinâmicas ou oficinas buscam exatamente ajudar os estudantes a isso, entender por que é necessária uma mudança de postura frente aos conflitos.
Por fim, temos a prática do projeto que é desenvolvido da seguinte forma: a cada semana são escolhidos alguns colegas que ficam responsáveis por mediar a resolução dos conflitos que possam surgir na turma. Por exemplo, estudante A se envolve num conflito com B. O monitor da paz, como são chamados os responsáveis da semana, vai até os dois e procura ouvir as partes envolvidas e juntos buscam uma solução que seja lucrativa ou pelo menos amenizadora de danos para os dois. O monitor da paz não deve exercer o papel de juiz, mas sim de mediador, isto é, ela não dará a solução para o problema, mas buscará criar condições para que seja resolvido. Além disso, os monitores da paz devem manter um registro diário daquilo que acontece na turma para que se possa retomar em um outro momento os avanços e possíveis dificuldades encontradas.
Também temos buscado criar uma maior participação dos pais no projeto. Isso é desenvolvido de forma não sistemática, mas continua. Acreditamos que esse projeto só terá sentido se atingir os estudantes no momento em que eles não estão na escola. Queremos uma escola pacífica, mas queremos mais seres humanos pacíficos e pacificadores no mundo.
Desde a implantação do projeto, observamos uma sensível melhora na realidade em sala de aula e no momento do recreio com os alunos. Os conflitos foram diminuindo a ponto de professoras relatarem que em uma semana inteira não ficarem sabendo de um conflito sequer entre seus alunos. Com isso podemos perceber que a autonomia para resolverem seus próprios conflitos sem que tenha a intervenção do adulto foi desenvolvida, além dos conflitos terem sido resolvidos através do diálogo.
Estamos muito felizes e otimistas com esse projeto e temos reforçado em nós a crença de que todo ser humano pode se desenvolver aprendendo a resolver seus conflitos de forma pacífica e não-violenta, como é tão apregoado em nossa sociedade.